Apesar de ser o primeiro filme com temática e estilo baseado em quadrinhos, não apoio que Superman- o filme (1979) tenha sido responsável pelo conseguinte desenvolvimento desse tipo de cinema. Dirigido por Richard Donner, e com Cristopher Reeve no papel do homem de aço,

o filme foi uma grande e cuidadosa produção da época: com cenas de ação estonteantes, ritmo frenético, um vilão que se eternizou no cinema e elenco de apoio de alta qualidade (Marlon Brando e Gene Hackman faziam parte), o filme fez sucesso de crítica e bilheteria. Entretanto, as continuações, que gradualmente caíram em qualidade e arrecadação, fizeram com que o foco dos produtores, que não queriam se arriscar, não ficasse nesse tipo de filme. Para eles, Superman havia sido um fenômeno específico, que dificilmente se repetiria....Grande erro.
Nova aposta arriscada de um estúdio, em 1989 chegou aos cinemas Batman, que contava com a visão artística particular de Tim Burton. No filme, o diretor criara uma Gothan City ao mesmo tempo colorida e sombria. A figura do Coringa criada por Jack Nicholson fora considerada um dos grandes méritos do filme, que, apesar de não ser perfeito em sua concepção, agradou aos fãs em geral e foi uma das dez maiores bilheterias da década de 80. Esse sim, foi o marco do início do desenvolvimento da indústria cinematográfica baseada em quadrinhos.
Em suas continuações da década de 90, a série Batman teve um novo pico (com Batman, o retorno, ainda nas mãos de Burton) e dois filmes desastrosos concebidos por Joel Schumacher, que tiveram êxito em arrecadação.
• Anos 2000
O novo milênio se iniciou no cinema de heróis com X-Men, de Bryan Singer. Reunindo atores consagrados, o filme é bem sucedido na construção de um conto sobre preconceito e como se lida com esse preconceito, transposto para a situação de mutantes que são rejeitados pela sociedade e reagem de diferentes formas a essa rejeição, alguns usando sua superioridade genética com violência e outros tentando utilizar a via diplomática. Um filme que, apesar de não ter proporcionado nenhuma revolução visual, teve bilheteria alta e impulsionou a produção de cinema baseado em quadrinhos.
Em 2002, Homem Aranha chega aos cinemas. Concebido com paixão pelo diretor Sam Raimi, o filme estabelece alguns padrões que seriam seguidos por muitos outros posteriores filmes sobre heróis: a tragédia pessoal do protagonista, o jeito como ele descobre seus novos poderes, a forma como o protagonista perdedor consegue uma imposição quando nos trajes heróicos, a relação entre poder e responsabilidade, em fim, uma obra determinante que influenciou a grande maioria dos filmes sobre o tema que estariam por vir. A bilheteria exorbitante de 821 milhões garantiu suas continuações.
Ambosos filmes (Homem aranha e X-Men) tiveram duas seqüências: a primeira com qualidade que se equipara, ou até eleva, a original, e uma segunda sem o mesmo apelo, demonstrando um certo desgaste.
Novas obras, baseadas em heróis menos populares, chegaram: O justiceiro, O demolidor, Hulk (este, com posterior retomada em 2008 por Luis Leterrier) e Quarteto fantástico foram filmes mais fracos, alguns deles não chegaram sequer a embalar continuações, mas que tiveram relativo sucesso comercial, em especial os dois filmes do Quarteto fantástico.
Um nome que ganhou destaque na conversão de quadrinhos para o cinema foi Cristopher Nolan. Em 2005 o diretor propôs uma nova visão sobre o mundo do homem morcego em Batman Begins, que contava com Christian Bale, Liam Neeson e Michael Caine no elenco. Era um filme mais sério e realista, que tratava com profundidade o seu herói e dava ao filme um tom de thriller policial. A seqüência, Batman - o Cavaleiro das trevas teve uma das maiores bilheterias da história do cinema (mais de 1bilhão) e rendeu o Oscar póstumo ao intérprete do Coringa Heath Ledger, que construiu a imagem do psicótico vilão com maestria e perturbação raramente vistos.
No mesmo ano do Cavaleiro das trevas, aportava nas telas um dos filmes de herói mais divertidos e populares já feitos. Homem de Ferro, por John Fravou trouxe ao universo super herói o espírito de Rock’n roll encarnado na figura rebelde de Robert Downey .jr, principal mérito da produção, fez um herói sem neuroses, cheio de vícios e defeitos, cuja prioridade é se divertir. Em 2010, motivada pelo sucesso do precursor, chega uma continuação, com Mickey Rourke, Sam Rockwell e Scarlett Johansson como novidades no elenco. O filme original foi a primeira produção da Marvel como estúdio independente, e iniciou uma série de produções que culminarão em Os Vingadores, no qual se reunirão Homem de Ferro, Hulk, Capitão América e Thor, estes dois últimos com filmes independentes em produção.
Graphic Novels :
Graphic Novel é um termo que designa aquelas histórias em quadrinhos lançadas e que, como um livro, possuem começo e fim determinados e se resumem aos acontecimentos ali citados. Este tipo de hq também originou filmes incríveis: V de vingança, com Natalie Portman e Hugo Weaving foi baseado em uma obra de Alan Moore e é um ótimo filme que aborda a rebeldia contra a impunidade do governamental e proliferação desse sentimento rebelde.
Em 2008, baseado em quadrinho de Frank Miller, dirigido por Zack Snider, 300 de Esparta retrata a batalha das Termóplias, na qual 300 espartanos lutaram contra milhares de Persas para proteger suas terras do domínio de Xerxes. Com direção e fotografia estilizados, o filme foi um dos grandes sucessos do ano. Ainda relacionado à obra de Frank Miller, Sin City - a cidade do pecado é um filme que, apesar de extremamente violento possui grande qualidade artística.
Outra adaptação de Zack Snider foi Watchmen, considerada a maior Graphic novel da história dos quadrinhos, foi concebida também por Alan Moore na década de 80 e faz retrato realista do efeito da presença de super heróis em meio a Guerra Fria. O filme, com grande apuro técnico, é provavelmente o filme mais fiel a uma obra em quadrinhos já feito, algo que causou fortes controvérsias entre críticos e fascinação daqueles, como eu, que eram fãs do material original. Um filme incrível, com uma escolha diferenciada para a trilha sonora, que, apesar do fracasso nas bilheterias, certamente será redescoberto no futuro.
Kick-ass:
Produção independente, o filme Kick-ass foi feito simultaneamente à graphic novel na qual se baseou. O diretor, Matthew Vaughn, sofreu com a rejeição de patrocinadores e estúdios para não abrir mão de sua liberdade artística. O resultado foi um filme incrivelmente divertido, pop, inovador e tocante, que abusa da violência e tece uma trama que subverte muitos dos valores impostos pela indústria cinematográfica, de quadrinhos ou não. É uma obra na qual o politicamente incorreto impera. No elenco, destaque para Nicolas Cage (fã incondicional de quadrinhos, se entrega ao seu papel de Big Daddy) e a graciosa Chloe Moretz, que encarna da mortal Hit Girl. Um filme excepcional, que se destaca pelo realismo não das cenas de ação, mas da forma como reagiria a sociedade atual, informatizada e com velocidade de comunicação, ao aparecimento de alguém disposto a fazer sacrifícios pelo bem público: um herói.
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