Melhor Filme e Diretor:
Como há muito tempo não se via, o Oscar 2010 foi uma disputa extremamente acirrada e até tensa entre seus dois principais concorrentes. O aumento no número de indicados não parece ter mudado muito a cerimônia, mas interferido apenas num possível aumento nas bilheterias dos filmes indicados. Em uma premiação cujos principais concorrentes são ex-marido e ex-mulher, a vitória foi de toda a indústria!
De um lado da disputa estava o grandioso “Avatar”. Aclamado com a maior bilheteria e orçamento da história, o filme de James Cameron era o favorito de grande parte do público. Uma experiência visual e sensorial única, mas cuja vitória não seria de todo positivo para a indústria cinematográfica devido à uma possível valorização de filmes que não primam por seus roteiros e qualidade artística, mas por um grande apelo visual relacionado a efeitos em CG e fotografias expressivas.
Do outro lado, um pequeno filme independente, que teve dificuldades em obter seu orçamento e faturou apenas 18 milhões nas bilheterias americanas (nada se comparado aos 702 de seu concorrente). Esse é “Guerra ao Terror”, dirigido pela primeira mulher vencedora do Oscar na categoria Kathryn Bigelow. A obra possui ritmo lento, belas construções de personagens, um forte teor político relacionado ao atual governo norte-americano e aspectos técnicos impecáveis, apesar não tão extravagantes.
Mas, definitivamente, o quão positiva foi à vitória de “Guerra ao Terror”? Na pinha opinião, não só extremamente positiva, mas talvez até necessária para que a atual produção independente ganhe força, diferentemente do que aconteceria com a vitória de “Avatar”, que provavelmente acarretaria numa drástica desvalorização dos indies (que já vinham tendo apenas uma subvida no cinema).
Só me pergunto se a vitória de um filme como “Bastardos inglórios”, uma obra incrível e ao mesmo tempo com grande orçamento e elevado nível artístico, não seria mais merecida e positiva para a indústria.
Melhor filme estrangeiro:
Uma das grandes surpresas da cerimônia, o prêmio de melhor filme estrangeiro foi vencido pelo incrível e belo “O segredo de seus olhos”, filme argentino de Juan José Campanella. A película, estrelada por Ricardo Darín no papel de Benjamin Epósito, não só tece críticas ao governo vigente no período do filme, em que a presidenta era Isabel Perón, mas traça com muita profundidade os perfis de personagens que tiveram experiências não superadas e carregadas por muito tempo nas costas dessas pessoas. Lindo!
A vitória desse sobre o alemão “A fita branca”, também um belo filme de Michel Haneke, foi totalmente inesperada devido ao grande número de prêmios que o alemão vinha levando em diversos festivais. Uma surpresa feliz e totalmente merecida. Quem ganha é o cinema argentino, se aprimorando cada vez mais.
Fatos do Oscar 2010:
Duas surpresas da premiação foram os prêmios de roteiro. Como original a vitória de “Bastardos Inglórios” era quase certa, mas a estatueta de “Guerra ao Terror” demonstrou toda a força que o filme de guerra tinha. Como roteiro adaptado, “Amor sem escalas” parecia uma escolha certa, mas o drama de “Preciosa” foi o vencedor.
Nas categorias de atuação, só vitórias previsíveis: Jeff Bridges superou concorrentes de peso como Morgan Freeman e Colin Firth, Sandra Bullock reafirmou que esse era o ano dela, Christoph Walts era a certeza da noite e Mo’niqe conquistou a estatueta por sua atuação forte e marcante em “Preciosa”.
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