quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Análise: Qual é a obra definitiva do gênero Gângster?

O mundo dos gângsters, sejam eles americanos ou não, é assunto recorrente em produções cinematográficas. Desde “Inimigo Público”, de 1931, um dos primeiros do gênero, até mais atualmente o italiano “Gomorra”. Durante esse período, filmes dos mais variados tipos e qualidade apareciam: alguns glamourizavam todo o universo, como “Bonnie e Clyde” e “Os intocáveis”, outros faziam exatamente o oposto, ao mostrar um mundo sujo em que o capital move as ações criminosas, como o próprio “Gomorra” o fez, e ainda aqueles que davam tom irônico ao assunto, a exemplo de tarantino em “Pulp Fiction: tempos de violência”.
Entretanto, dois filmes elevam esse gênero ao seu máximo, cada um apresentando uma diferente visão para o universo. O primeiro, “Os bons companheiros”, retrata o ponto de vista de um nova-yorkino nascido em um subúrbio italiano, que provavelmente inspirou-o para a sua posterior produção. Esse é Martin Scorcese. Já o segundo, “O poderoso chefão”, é resultado do trabalho de um americano, cuja decendência também é italiana, mas que nasceu em famílias mais tradicionais.
Em “Os bons companheiros”, o espectador segue Henry Hill (interpretado por Ray Liotta) desde sua infância quando já queria se tornar um criminoso, até seu estabelecimento como homem respeitado dentro da comunidade mafiosa e posterior decadência. Unidos à ele estão Jimmy Conway (Robert Deniro), que faz o papel do veterano que tem muito a ensinar, e Tommy DeVito (Joe Pesci), parceiro de Henry que desde cedo já se mostra uma pessoa de personalidade explosiva e que pode atrapalhar os meticulosos negócios do grupo. Em fim, temos o retrato perfeito do que é ser e participar do meio gângster. Sem muita estilização visual, ou grandes melodramas, o filme se propõe a mostrar a máfia como ela realmente é.
Já em “O poderoso Chefão”, a máfia é romantizada. Coppola exprime uma visão sobre o mundo gângster na qual existe honra dentro do mundo do crime, exemplificada bem em momentos como a rejeição de Don Vito Corleone em adentrar no sistema de narcotráfico, ou mesmo quando ele decide que não irá se vingar daqueles que assassinaram seu filho Santino para tentar por um fim na guerra entre as famílias. Outro fator que ressalta a visão da máfia presente em “O poderoso Chefão”, é o desenvolvimento que se dá à relação familiar entre as personagens, relação que, como por vezes ressalta o Don Vito, é mais importante ainda que os negócios da família.
Entre os dois, é difícil ressaltar o melhor, entretanto, revendo cada um com maior atenção, o espectador com certeza terá um parâmetro das visões de Hollywood para o universo proposto.


Outros filmes relacionados ao tema essenciais:
• Era uma vez na américa (Sergio Leone)
• Inimigo público nº 1 (William. A Wellman)
• Pulp Fiction, tempos de violência (Quentin Tarantino)
• Os intocáveis (Brian de Palma)

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